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terça-feira, 17 de agosto de 2010

Pirandellando

Fiz o exercício




De olhar pelos olhos do Outro


Mesmo assim quem olhava era Eu


Permanecia Eu olhando


Tentei novamente


Sob o risco do próprio Eu

do meu próprio olho

olhei


Foi milagroso olhar o Outro olhando para mim


E eu parecia com os outros


Quando com meus olhos olhava e nos seus olhares me encontrava

Inacessível, indifernte, familiar e distante


Logo o Outro me exorcizou reclamando seus olhos


Dizia ficar sem olhares se assim continuasse


Agora sem olhos alheios


Perdido os meus


Observo tudo cego, pois nada tem olhos

Pois nada deve ser olhado por muito tempo

Por isso vejo maravilhas


Você é maravilhoso sabia? Pois vejo eu mesmo pelos seus olhos agora


Assim como os conceitos limitam


Os exemplos limitam!


E nada é universal


E mesmo assim percebo tanto em comum entre nós, sabe?

Não? Não sabe?

Tome os meus olhos ( já estão sacados)


Tome, veja!

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